segunda-feira, 5 de maio de 2014

"Escrotínio" Universal




António José aprendeu uma palavra nova na escola, na disciplina de Ciências: Escroto.
Involuntariamente mais ou menos atento às notícias - como muitos outros mancebos da sua idade, que jantam com seus pais à hora do Telejornal -, apercebeu-se de que vai haver aí um qualquer "escrotínio" com europeias à mistura. Para um jovem daquela idade, não eram apenas as borbulhas que despoletavam, mas também o desejo. Como tal, para alguém que até há bem poucas horas transportara dois tomaticos num saco, e se via agora munido de portentoso escroto, um "escrotínio" com europeias só podia ser coisinha por demais apetecível!
Os sonhos de António José iriam terminar, ou, pelo menos tornar-se mais enxutos aquando da aula de Português dedicada às palavras homófonas. 
O pobre rapaz, sem idade para votar, nem tampouco voto na matéria, sentiu sua desinflada coquilha regressar à condição de saco meio roto, qual escroto?
Subitamente despido de uma boa estufa para a maturação de tão verdes tomatinhos, talvez um dia António José saia vencedor de um escrutínio!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Eu...





Eulália, Eurico, Eugénio e Eunice. Eu, não sei quem sou!

Cojonudo Raúl



Estarão certamente a par
De que, que por razão de seus dois,
Raúl era verdadeiramente ímpar
No que respeita a colhões.

O sangue que irrigava Raúl
Era mais azul que o da realeza.
Não fosse ele Sua Alteza
Da atitude.

Ora lisonjeira, ora rude.
Pois eram suas fossas nasais
Fatais receptores da cruel mostarda
Que a miúde jorrava sobre si.

Poder-se-ia então dizer
Que quanto mais não fosse,
Raúl era… sensível, vá,
A algumas opiniões.

Já em ocasiões diversas
Havia tratado da tosse
A fulanos, que de espertos,
Passaram a indizíveis cagões.

Raúl partiu a boca a muita gente.
Pernas, braços, costelas…
Partiu traves de madeira em cabeças
E vice-versa.

Mas um dia cansou de ser persa entre romanos,
E dessa feita, partiu atrás da felicidade.
Morreu passados dois anos,

Porque não sabia ser feliz.