terça-feira, 24 de setembro de 2013





























TP0337 

Viajava de noite.
Pela janela do avião
Apenas via a minha mão
E o papel em que escrevia ao contrário.

A onze quilómetros de altura,
Viajava a meu lado um sujeito moreno;
Era canhoto e escrevia da direita para a esquerda.
Estava de t-shirt;
Bonito, boa pinta... Parecia até apreciar arte.
Só que do lado de lá do vidro
Estariam uns centígrados
Negativos setenta e tais graus.
Fiquei com pele de galinha
Ao ver que a dele não estava. 
E nesse preciso instante eriçou-se para mim!
Comecei a pensar que ele era um dos maus,
E que para mim seria o fim da linha;
Que talvez ele fosse membro da Al-Qaeda.
Voava e escrevia, torto e sem linhas
(não era deus, portanto).

Àquela altura não eram de desconsiderar
Os efeitos adversos de uma queda.

Também poderia ser o Aladino;
Aquelas páginas brancas o tapete,
E as palavras seu destino.
Fiquei bem mais descansado,
Já que sempre simpatizei 
Com personagens de histórias de encantar.
Aladino levava lágrimas nos olhos,
E não creio que fosse da deslocação do ar.
Que destino, que viagens seriam as dele?
Ainda tentei descobrir a razão daquela dor
Lendo as palavras que ele escrevia.
Porém, consegui perceber apenas uma,
Que era "ROMA".
Talvez fosse para lá que ele fosse,
Embora estivesse um pouco fora de rota...
De repente, uma gota caiu no meu caderno.
A escassos mil e poucos metros do chão
Era a minha vida que descia
Para bem mais fundo que o alcatrão da pista.

Aladino chorava debaixo dos meus olhos,
Onde as palavras eram tecidas pela dor
De quem aterrava longe do seu AMOR.





What a big....

Tenho a impressão digitada
No teu rosto,
Que a almofada não apaga;
Nem é suposto.
Uma errática fruição
Do ar que respiras
Dá lugar à problemática aferição
De que as mentiras
Desvanecem com a alvorada.
Tenho a tua mão estampada
No meu rosto.
Sem a comiseração da almofada,
Resta-me aguardar por outro encosto.